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Sessão Revisão: Manuel Botelho de Oliveira |
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Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) |
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UM ILUSTRE EDIFÍCIO DE COLUNAS E ARCOS - Soneto XVII Essa de ilustre máquina beleza, Que o tempo goza, e contra o tempo atura; É soberbo primor da arquitetura, É pródigo milagre da grandeza. Fadiga da arte foi, que a Natureza Não teme da fortuna os vários cortes, Que nas colunas e arcos elegantes, |
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ASTROLÁBIO INVENTADO E FABRICADO PELO ENGENHO DO REVERENDO PADRE MESTRE
JACOBO ESTANCEL, RELIGIOSO DA COMPANHIA - Soneto VII Artífice engenhoso da escultura, Famoso Mestre da cerúlea via, Que quanto discorreis na Astrologia, Tudo fácil fazeis na Arquitetura; Neste astrolábio a famos vos segura, Que pouco se há mister ver meio o dia, Que no Zênite está da mor valia, Quando a ciência luz na mor altura. Tomais o sol com pensamento leve; Dédalo sábio o mundo vos aclama, Quando invento tão raro se vos deve. E quando vosso nome mais se afama, Sendo a terra a seus vôos orbe breve, Tomais o sol por orbe à vossa fama. |
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| Download: Ilha da Maré | ||
| Nos dois poemas que aqui apresentamos buscamos demontrar uma característica não muito conhecida de Manuel Botelho de Oliveira que era sua admiração para com a ciência e a arquitetura de seu tempo. Embora por definição, o espírito barroco se comporte de modo ambíguo e, por vezes, contraditório em relação à ciência e à técnica, o fato é que muitos poetas do barroco, | ||
| e Botelho aí se inscreve, demonstraram em seus versos uma intenção de cantar a engenhosidade humana como meio não apenas metafórico do próprio engenho poético, mas como crença na capacidade da ciência do homem em desvendar os segredos do mundo e do universo. | ||