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Berceuse da Lua
O fio do bordado desfeito
Dado à dúvida do desenho,
Uma blasfêmia posta ao peito
Na ausência do certo engenho.
Palavras caindo como chuva
Dentro dum copo de papel,
Deslizam na côncava curva
Mirando o Universo e o Céu.
Preso por loucos sentimentos,
Bebo o vinho ideal das quimeras,
Espírito imortal flui ao vento...
Tela que versos quaisquer descem,
Selo no ventre nu de adúlteras,
Da Lua caem cristais e a dor tecem...
(do livro Florilégio de Alfarrábio, p.127)
INFORMAÇÃO POÉTICA
Não existe arte sem constrição,
Dsenvolveremos a mensagem cantada:
Se o que conhecemos do Universo
- a hipótese muito simplista aqui apresentada -
O criptógrafo faz em sentido inverso,
Sabemos que a utilização de artifícios
Não corresponde, senão excepcionalmente,
[à realidade!
(do livro Florilégio de Alfarrábio, p. 79)
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