ORFEU SPAM APOSTILAS
Henriqueta Lisboa
(Lambari MG 1901 - Belo Horizonte MG 1985)
Publicou Fogo Fátuo, seu primeiro livro de poesia, em 1925. Havia se formado há pouco tempo no Curso Normal, em Campanha MG. Em 1929, saiu Enternecimento, pelo qual Henriqueta ganhou o Prêmio Olavo Bilac de Poesia. Nos anos seguintes, publicou Velário (1936), Prisioneira da Noite (1941), O Menino Poeta (1943), A Face Lívida (1945). Em 1945 , tornou-se Professora de Literatura Hispano-Americana na Universidade Católica de Minas Gerais. Nas décadas posteriores produziu livros de ensaios sobre literatura brasileira e estrangeira, traduções e obras poéticas, entre as quais Flor da Morte, que recebeu em 1952 o Prêmio Othon Bezerra de Mello. Em 1963 tornou-se a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras. Entre 1961 e 1968 foi organizadora da Antologia Poética Para a Infância e a Juventude e da Literatura Oral Para a Infância e Juventude. Em 1984 recebeu, pelo livro Pousada do Ser (1982) o Prêmio de Poesia Pen Club do Brasil. Também recebeu, em 1984, o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Henriqueta Lisboa filia-se à segunda geração do modernismo, embora seus primeiros poemas apresentem inflexões simbolistas. Além da vasta obra poética para adultos, ela produziu alguns dos melhores poemas infantis brasileiros.
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A Face Lívida [De súbito cessou a vida.] .De súbito cessou a vida.
A Menina Selvagem
Para Ângela Maria
Assim é o Medo Assim é o medo: Caboclo-d'Água Caboclo-d'água Ô
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Ciranda de Mariposas Vamos todos cirandar
Drama de Bárbara Heliodora "Bárbara bela do norte estrela que o meu destino sabes guiar."
Quem é esse que assim canta como quem está chorando? Suas faces encovaram, seus olhos se amorteceram, sobre seus cabelos negros cai uma chuva de cinza. Ah! e havia tanta brasa em torno de seus cabelos, tanto sol na sua ilharga, tanto ouro nas suas minas, tanto potro galopando nas suas terras sem fim.
Grão de poeira quando o vento a madrugada castiga: Já não é mais Alvarenga quem foi Alvarenga um dia.
Do galho tomba uma fruta verde sobre o lago fundo. A árvore guardava a seiva toda nessa fruta verde. A mão trêmula do poeta mal sabe aquilo que escreve:
"Tu entre os braços ternos abraços da filha amada podes gozar."
A essas horas, na distância, vai pela tarde dorida sob a chuva, entre salpicos de lama, um caixão mortuário sem enfeites nem bordados, senão os que a lama asperge no pano que cobre as tábuas.
Quando a alvura da açucena se refugiava nas moitas, Maria Ifigênia encontra sua gruta para sempre.
É deveras a Princesa do Brasil, essa menina de madeixas escorridas, de lábios esmaecidos, de túnica mal vestida?
Essa, a mesma por quem vinham da Corte os melhores mestres de dança e língua estrangeira? A de damascos e auréolas a quem brotavam nos dedos tíbios ramos de coral?
Linda, lendária Princesa, por quem chora já sem lágrimas pobre mulher desvairada de olhos que olham mas não vêem.
Chora Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira. E em suas artérias corre o sangue de Amador Bueno! Chora, porém já sem lágrimas.
É de mármore seu rosto. Seu busto cai sobre os joelhos: flores que de trepadeiras pendem murchas para o solo.
Talvez já nem saiba como – para donaire da estirpe – na ponta dos pés erguida em hora periclitante ousou admoestar o esposo: "Antes a miséria, a fome, a morte, do que a traição!"
Valem muralhas de pedra para represa dos rios, certas palavras eternas que decidem do destino.
Saudação a Drummond Eu te saúdo Irmão Maior
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