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HORÁCIO - LÍRICA
Estudo sobre a lírica de Horácio:
A Lírica de Horácio: Uma Lição Clássica
de Contornos Atuais, De José Mário Botelho - download pdf
Horácio (65 a.C. - 8
a. C.)
O poeta lírico, satírico e filósofo
Quintus Horatius Flaccus ou Quinto Horácio Flaco nasceu em Venúsia,
posteriormente Venosa, Itália. Filho de um escravo emancipado, que exercia as
funções de recebedor dos dinheiros públicos no leilões, Horácio teve boa
educação literária em Roma, completada, depois, em Atenas. Nesta cidade se
achava ainda quando ocorreu o assassinato de César (44 a. C.).
Horácio e vários de seus colegas de estudos acolheram com entusiasmo o feito de
Brutus, e quando esse organizou o exército que iria combater em Filipos,
Horácio, com apenas vinte anos, recebeu o comando de uma legião.
Apesar da derrota em Filipos, pôde regressar a Roma graças a uma anistia.
Em Roma, conseguiu o cargo de
escrivão de questor e, graças proteção do influente Caio Mecenas, a quem foi
apresentado por Virgílio, Horácio entrou para os círculos literários,
tornando-se o primeiro literato profissional romano. Mecenas ainda presenteou-o
com uma casa de campo nos arredores de Tibur, hoje Tívoli. A partir daí Horácio
dedicou-se somente ao cultivo da poesia, chegando a recusar até mesmo o posto de
secretário particular de Augusto.
Horácio reagiu contra a escola de
Catulo, procurando os seus modelos nos velhos líricos da escola lesbiana. Em
seus versos, de notável perfeição formal, vemos refletido a moral epicurista, ou
seja, não se entregue a ambição, goze com moderação dos bens da vida e não se
preocupe como o futuro (carpe diem).
As obra lieterária de Horácio é
composta por:
Odes (19 a. C.) - Peças líricas sobre
vários assuntos;
Epodos, ou Iambos - coleção de 17
poemas escritos na mocidade, que tratavam de assuntos romanos e imitava, tanto
no metro como no espírito satírico, o poeta Arquíloco;
Satíricas ou Sermones - baseado em
assuntos literários ou morais, discute questões éticas;
Canto Secular, composta a pedido de
Augusto. (20 a. C.) - hino epistolar de caráter litúrgico dedicado a Apolo e
Diana;
Epístolas - coleção de cartas sobre
assuntos variados: recomendações, convites e discussões filosóficas e morais.
Dentre essas cartas destaca-se a carta aos Pisões, conhecida como Arte Poética.
Fonte:
www.mundocultural.com.br
CARPE DIEM
Fonte:
http://www.latim.ufsc.br/Carpe%20diem.html
Ode 1, 9
tradução: Everton Lourenço
Vês como o Soracte se ergue branco,
coberto por uma densa neve, e já nem
as floresta fatigadas sustentam o peso,
e os rios se detiveram com o gelo penetrante?
Dissolve o frio, Taliarco, repondo as lenhas
em abundância sobre a lareira
e mais generosamente tira o puro vinho
quatro anos envelhecido do vaso sabino.
Deixa todo o resto aos deuses,
que tão logo estes acalmaram os ventos
que combatiam no mar turbulento,
nem os ciprestes, nem os velhos freixos são agitados.
O que há de ser amanhã será, deixa de se preocupar,
e, em todo caso, quantos forem os dias que te concederá
a fortuna , toma como lucro. E não te afastes, rapaz,
dos doces amores. E nem desprezes, tu, as danças
enquanto a penosa brancura estiver afastada de ti,
que ainda floresces. E agora, que o Campo de Marte,
e as praças, e os doces sussurros sob a noite
sejam retomados na hora propícia.
E também o agradável riso revelador
da menina que se esconde em um canto íntimo,
e o penhor arrebatado dos braços
ou do dedo pouco firme.
(Horácio. Odes I, 9 - fonte:
http://palavrasnomundo.blogspot.com/2008/04/horcio-odes-i9.html)
Horácio, Odes XI
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, uina liques, et spatio breui
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit inuida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
Não sondes o destino, amiga, que os deuses
nos reservaram, nem interrogues
os astrólogos da babilônia.
Enfrentemos o que vier, seja o que for.
Quer Júpiter te conceda muitos invernos
quer seja este o último
em que as ondas do Tirreno
castigam os rochedos,
sê sábia e prova teus vinhos.
A vida é breve,
não alimentes longas esperanças.
Enquanto falamos,
o tempo, invejoso, foge:
vive o presente,
o menos crédula possível
no dia seguinte.
(tradução Miguel do Rosário, com influència de M.B.R)
fonte:
http://oleododiabo.blogspot.com/2008/07/horcio-odes-xi.html)
Horácio - Odes I, 32
tradução: Everton Lourenço
Somos chamados. Se sob a sombra
ociosos
compomos contigo algo, que não só viva
por este ano, mas por muitos.
Vamos! canta uma poema latino, ó lira
primeiramente tangida pelo
cidadão lésbio,
que, entre as armas, valoroso foi na guerra,
porém, que também havia ligado
a nau agitada ao úmido litoral.
Este cantava não só Baco, as
Musa, Vênus
e o menino sempre a ela ligado,
mas também Lyco de negros olhos
e negra cabeleira de ornamento.
Ó honra de Febo, ó lira
agradável aos banquetes
do supremo Júpter,ó doce consolo do trabalho,
em qualquer circunstância salve a mim,
que segundo os ritos invoco.
(Horácio, Odes I, 32 - fonte:
http://palavrasnomundo.blogspot.com/2008/05/horcio-odes-i-32.html)